Prince of Persia Trilogy (Sony Playstation 2) – Parte 1: The Sands of Time

Prince of Persia the Sands of TimeUltimamente o tempo para jogar e escrever tem sido mesmo curto. Eu bem disse no artigo anterior que iria focar-me mais em artigos de jogos que já tenha terminado, mas nem isso. De qualquer das maneiras não faço qualquer questão de desistir, mesmo que continue a escrever a conta-gotas. Ainda assim, decidi trazer cá hoje um grande clássico da geração passada, um jogo que fez uma espécie de reboot à mítica série Prince of Persia, que após um jogo menos bem conseguido na actual geração de consolas, voltou ao seu silêncio. O primeiro Prince of Persia de Jordan Mechner é um clássico incontornável dos videojogos, um dos primeiros que joguei para PC e foi portado para practicamente tudo o que fosse consola, portátil ou computador, mesmo muitos anos após ter saído originalmente. Ainda assim, depois de uma sequela 2D que não atingiu o mesmo sucesso, e um jogo em 3D saído para PC e Dreamcast que toda a gente prefere esquecer, a Ubisoft decide meter mãos à massa e lançou no ano de 2003 para PC e consolas (PS2, Gamecube e Xbox) uma nova reimaginação da série, trazendo tudo o que o jogo original tinha de bom e muito mais, desta vez em 3D. Este Sands of Time foi um sucesso, e apesar de a versão PS2 ser a versão com a pior performance visto ter um hardware um pouco mais fraco que as suas concorrentes, ainda assim foi uma versão que vendeu bastante, o suficiente para que fosse lançada uma compilação com os 3 jogos que compõe esta história. A minha versão foi comprada na infelizmente já extinta GAME do Maiashopping algures no ano passado, tendo-me custado cerca de 5€, estando em completa e em bom estado.

Prince of Persia Trilogy - Sony Playstation 2

Trilogia completa com caixa e manuais.

Este Prince não é o mesmo dos primeiros jogos, muito menos o artista pop dos anos 80. Em The Sands of Time a Ubisoft decidiu mostrar uma história completamente diferente, embora existam algumas referências ao primeiro jogo conforme já irei referir. Este The Sands of Time coloca-nos mais uma vez na pele de um príncipe Persa (como se não adivinhassemos esta), cujo seu exército se encontra a invadir uma nação vizinha. O príncipe, motivado em oferecer ao seu pai algo de grande valor, decide aventurar-se sozinho para o palácio inimigo, em pleno clima de guerra, onde consegue obter a mística dagger of time, um precioso artefacto que lhe permite de certa forma controlar o tempo, algo que decide oferecer ao seu pai. A campanha militar dos Persas é um sucesso, com a ajuda preciosa do Vizir que traiu a sua nação, auxiliando os Persas neste esquema. Como forma de pagamento pelos seus serviços, o Vizir exige a dagger of time, algo que lhe torna a ser recusado pelos Persas. Assim sendo, o Vizir decide convencer o jovem príncipe a utilizar a dagger of time nas místicas Sands of Time algo que ele faz, mas libertando um enorme mal que assola o seu palácio, transformando todos os seus habitantes numa espécie de zombies agressivos. Os únicos sobreviventes são mesmo o príncipe e Farah, uma bela jovem que tinha sido tomada prisioneira pelo exército persa, mas decide ajudar o Príncipe em buscar a sua vingança pela traição do Vizir.

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Este é um lugar misterioso onde o príncipe consegue extender a sua barra de energia

A jogabilidade deste novo jogo é algo que foi realmente fora de série para a altura. O príncipe possui imensos dotes atléticos e acrobáticos, sendo capaz de executar saltos impossíveis, andar temporariamente em paredes, saltitar de coluna em coluna ou rodopiar de haste em haste. Estas habilidades são constantemente postas à prova ao longo do jogo, onde o príncipe tem de atravessar imensos segmentos de plataformas, evitando diversos obstáculos ou armadilhas mortais, muito como se fazia no primeiríssimo jogo, agora muito bem executado em 3D. Em conjunto com isto estão os dotes de guerreiro do príncipe. O esquema de combate é bastante fluído, onde podemos (e devemos) utilizar as acrobacias para defrontar os inimigos. Inimigos esses que apenas podem ser permanentemente derrotados se utilizarmos a Dagger of Time enquanto eles estão inconscientes, em caso contrário voltam à vida. Ao utilizar a dagger of time para finalizar os combates faz com que o príncipe vá coleccionando alguma areia mágica. Isto para quê? A habilidade de controlar o tempo é algo que também entra bastante neste jogo, podendo o jogador voltar atrás no tempo sempre que desejar. Um salto que saiu mal? Volta atrás com o rewind. Um inimigo que nos limpou o sebo? Volta atras com o rewind. Obviamente que não podemos abusar desta habilidade, apenas a podemos utilizar algumas vezes, mediante o número de “slots” de areia que dispomos no momento e que vão sendo restabelecidos sempre que finalizamos um inimigo. Estes slots vão sendo aumentados à medida em que o jogo vai progredindo, bem como a barra de vida do príncipe, que vai aumentando sempre que encontramos alguns locais específicos. Para além disto, a dagger of time possui também outros poderes que nos podem auxiliar no combate, como tornar a movimentação em câmara lenta ou mesmo paralizar temporariamente alguns inimigos.

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O combate acrobático é uma imagem de marca deste jogo.

Mas nem tudo se resume a combates fancy ou acrobacias, existem também diversos segmentos do jogo em que temos de resolver alguns puzzles para progredir, e a interacção de Prince com Farah vai ficando cada vez mais interessante, com Farah a auxiliar nos combates ou a cooperar na resolução de puzzles. A vida de Prince pode ser restaurada a beber àgua de fontanários ou outras piscinas, e podemos ir fazendo save ao longo do jogo em diversos pontos em específico, espalhados ao longo da aventura e que vão dando algumas dicas dos obstáculos que o príncipe enfrentará no futuro. Existe também algum conteúdo escondido, nomeadamente uma conversão completa do primeiro jogo escondida no meio da aventura.

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Os puzzles aparecem de várias formas e feitios

Para além de uma jogabilidade fluída e bem conseguida, o aspecto audiovisual de The Sands of Time é algo que chama inevitavelmente à atenção. Por um lado é verdade que não há uma variedade muito grande cenários, a sua maioria são palácios e suas ruínas, mas os mesmos estão majestosamente construídos. Apesar de ser um jogo de acção, a Ubisoft conseguiu manter ao longo do jogo uma faceta sempre mística nos seus cenários e jogos de luzes, que nos fazem querer perder algum tempo a apreciar os grandes salões e corredores que esta aventura nos presenteia. Para acompanhar a beleza visual este The Sands of Time apresenta uma banda sonora igualmente mística, repleta de toques do médio oriente. Infelizmente o jogo seguinte – Warrior Within foi um passo atrás nestes aspectos, mas isso fica para um próximo artigo.

Assim sendo, este Prince of Persia é, na minha opinião um dos melhores jogos da geração anterior, fruto de um belo período criativo que a Ubisoft atravessava na altura, tendo lançado este jogo quase em simultâneo com outros grandes jogos da passada geração como Splinter Cell, XIII ou Beyond Good and Evil. Sendo um jogo multiplataforma, existem versões que oferecem uma melhor performance, o que neste caso são todas as outras versões. Mas ainda assim a versão PS2 é um port bastante sólido, as suas limitações de hardware face às da concorrência não lhe tiram a diversão. De qualquer das formas talvez queiram experimentar a conversão que foi lançada para a PS3 em formato digital na PSN, que sofreu um facelifting para resoluções em HD.

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Sobre cyberquake

Nascido e criado na Maia, Porto, tenho um enorme gosto pela Sega e Nintendo old-school, tendo marcado fortemente o meu percurso pelos videojogos desde o início dos anos 90. Fã de música, desde Miles Davis, até Napalm Death, embora a vertente rock/metal seja bem mais acentuada.
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5 respostas a Prince of Persia Trilogy (Sony Playstation 2) – Parte 1: The Sands of Time

  1. Este é um dos jogos com melhor aspecto da geração anterior e daqueles que conseguem ter uma direção de arte tão boa que até dá gosto voltar a jogar, o que me deixa ainda mais parvo quando olho para o Warrior Within (por muito que goste de coisas “metal”), que, não contando a jogabilidade, é das coisas mais idióticas que já vi. Nem consigo imaginar os horrores que a equipa de desenvolvimento deve ter passado quando lhes pediram para o Prince ser mais “badass”.

  2. Mike diz:

    uuhuuu! Este foi sem dúvida um grande lançamento das gerações 128 bits! Lembro me perfeitamente do hype todo que foi criado em volta deste jogo (até porque o parkour começava a estar em voga por essa altura), e da liberdade e estilo de movimento que era permitido com esta personagem.. O que eu vibrei com o jogo e com os videos que eram lançados na altura pelos media! Boa escolha 😉

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